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Vaticano
O diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, o jesuíta argentino José Gabriel Funes, explicou de Castel Gandolfo (Itália), que há grandes probabilidades de que exista vida fora do planeta Terra.

A reportagem está publicada no sítio da ACI Prensa, 05-07-2012. A tradução é do Cepat.

Em declarações à ACI Prensa e comentando a possibilidade de encontrar vida inteligente fora da Terra, o sacerdote afirmou que “seria possível a existência de vida no universo”. 

Neste caso, “os católicos não temos necessidade de mudar a nossa visão do universo”, afirmou, e “Deus, em sua liberdade, poderia ter criado outras criaturas também inteligentes e poderem fazer parte da criação”, acrescentou.

Segundo o Pe. Funes, estes seres “poderiam se relacionar com Deus, assim como nós o fazemos”, e sua existência não estaria em conflito com a existência de Jesus Cristo. “Não vejo nenhuma dificuldade para a fé católica”, destacou.

Pe. Funes explicou que tudo se reduz à probabilidade. Considerando que o universo é feito de 100 bilhões de galáxias e “se dividirmos as galáxias pela população mundial, caberiam a cada um 14 galáxias, cada uma destas galáxias é feita de cerca de 100 bilhões de estrelas”.

É possível, então, “que cada uma destas estrelas tenha planetas que giram ao redor de outras estrelas, como o fazem ao redor do Sol. E, portanto, seria possível a existência de vida no universo”.

“Sabemos muito sobre o universo, porque hoje é possível reconstruir a sua história desde os primeiros instantes até a formação da Terra, dos planetas; isto não está em contradição com a fé. O que aprendemos da mensagem bíblica, e também com a reflexão teológica. O que sabemos pela fé, e também pela razão, não apenas pela fé, é que Deus é o criador, um Pai bondoso, que nos sustenta no ser, no existir”, disse.

Dentro deste marco, recordou que o universo “existe graças à vontade de Deus, e como diz a Bíblia, ‘quando ao terminar de criar viu Deus que era bom...’; também tem que nos ajudar a ver a bondade do universo, a olhar também com olhos de bondade para a história da humanidade e também para a nossa própria história na Terra”.

“De todos os modos, por enquanto, não temos nenhum resultado. Não há nenhuma evidência de que exista vida fora da Terra. Esta descoberta poderá acontecer amanhã. Talvez dentro de mil anos, ou talvez nunca”, e “que se alguma vez tivermos alguma evidência de que haja vida, depende da ciência, caso contrário, é inútil especular”, assinalou.

Pe. Funes licenciou-se em Astronomia em 1985. Em seguida ingressou na Companhia de Jesus, e depois de sua ordenação sacerdotal doutorou-se em astrofísica na Universidade de Pádua, na Itália. Posteriormente, os superiores de sua congregação o destinaram a trabalhar no Observatório Astronômico do Vaticano, e em 2006, o Papa BentoXVI nomeou-o diretor do organismo.

Para o Pe. Funes, dirigir o Observatório é um desafio, “porque se trata de ser ponte, uma ponte entre a Igreja católica e os cientistas, particularmente os astrônomos. É um desafio que entusiasma, que também permite chegar a um público maior, porque há temas muito interessantes, como a origem do universo ou a possibilidade de vida extraterrestre”.

Neste sentido, explicou que a relação entre ciência e fé ocupa um lugar muito importante para o Santo Padre. “Pode-se ver isso em suas homilias, em seus discursos... em particular, para o Observatório do Vaticano e para os outros observatórios também no mundo. O ano de 2009 foi muito importante, porque foi o ano internacional para a astronomia. Durante esse ano, o Papa se referiu várias vezes à astronomia em particular, e nesse ano, o Papa inaugurou as novas instalações do observatório”.

Pode-se afirmar que a origem do Observatório Astronômico do Vaticano, assim como hoje é conhecido, pode ser fixada em 1891, quando o Papa Leão XIII quis demonstrar que a Igreja não se opõe ao desenvolvimento científico e que, pelo contrário, promove a ciência de grande qualidade.

Atualmente, o Observatório Astronômico do Vaticano é dividido em dois grupos: um, com uma sede histórica nos jardins pontifícios de Castel Gandolfo, e outro em Monte Graham, Tucson, Arizona (Estados Unidos), onde os pesquisadores, principalmente sacerdotes jesuítas, têm seu telescópio mais importante. É um dos centros astronômicos mais importantes do mundo.



Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

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