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O ator Isaiah Washington em cena do filme 'Área Q'; ao fundo a montanha em torno da qual são comuns as supostas aparições de óvnis (Foto: Divulgação)

O material de divulgação de “Área Q”, coprodução entre Brasil e EUA que estreia nesta sexta-feira (13), informa que ali está uma história de “ficção científica” e “espiritualismo”. No trailer, vemos um personagem falar em “óvnis” e “abduções” – outra menciona a “mão de Deus” e “um milagre de Jesus Cristo”. A certa altura, vê-se um clarão branco invadir o quarto onde está deitada uma mulher, a mesma que, adiante, levita em posição paralela ao solo, já do lado de fora da residência.
Mas não vá dizer a Gerson Sanginitto, o brasileiro radicado em Los Angeles que dirige o longa, que se trata de um trabalho espírita. De um novo exemplar do rentável “gênero” inaugurado com “Bezerra de Menezes: O diário de um espírito” (2008) e que se estabeleceu com “Chico Xavier” (2010) e “Nosso lar” (2010).
Essa abordagem sutil espiritualista, na verdade é um pano de fundo para o drama"
Gerson Sanginito, diretor
“É completamente errada [a associação], me irrita profundamente, porque nunca foi a intenção”, exaspera-se Sanginitto, em entrevista ao G1 durante mesa-redonda promovida na última semana num hotel paulistano. Ele diz isso a despeito do fato de “Área Q” ter envolvimento da Estação da Luz, produtora do próprio “Bezerra”. E também de “As mães de Chico Xavier” (2011) e de “O filme dos espíritos” (2011).
“Este filme não é espírita, não é religioso, a gente não fala de religião, não é doutrinário. Não é nem ficção científica, [rótulo] que eu acho que até diminui um pouco o filme”, continua o cineasta. “Esses elementos de ficção, essa abordagem sutil espiritualista, na verdade é um pano de fundo para o drama desse pai que está à procura do filho que desapareceu.”
“Área Q” tem este nome porque as ações se passam nas cidades de Quixadá e Quixeramobim. As iniciais dos municípios batizam aquele pedaço do Ceará que supostamente exerce especial atração sobre os alienígenas ou coisa parecida. O atributo vale tanto para o filme quanto para a vida real. A paisagem local é amplamente mostrada pelo diretor.

O pai de que ele falava há pouco é o jornalista americano Thomas Mathews, um sujeito que vive em angústia permanente após o desaparecimento repentino e absurdo do filho pequeno – a ocorrência antecede o princípio do filme.
Tania Khalill em cena do filme (Foto: Divulgação)
É uma reportagem de encomenda o motivo pelo qual o personagem se desloca de Los Angeles, onde vive, para vir desafiar o próprio ceticismo e um calor que parece mesmo afetar seus pensamentos. Quem interpreta Mathews é o ator americano Isaiah Washington, que já trabalhou na série de tevê “Grey’s Anatomy” e em filmes como “Romeu tem que morrer” (2000).
“Recebi e li o roteiro no verão de 2009”, recorda-se Washington na conversa com oG1, acontecida na mesma rodada de entrevistas de que participaram o diretor e outros integrantes do elenco. “[Depois] Eu li para meus filhos, como se fosse uma história para dormir. Meus dois garotos tinham dez e sete anos de idade, e minha filha tinha quatro. E todos os eles responderam positivamente à história, dizendo: ‘Papai, você deveria fazer este filme’.”
Alguns meses depois, em setembro daquele ano, o ator passou três semanas gravando suas cenas entre Quixadá e Quixeramobim, palavras que ele pronuncia com facilidade admirável.
'Alívio cômico'
Sanginitto começou a desenvolver a ideia de “Área Q” junto do produtor Halder Gomes em março de 2009. “A minha preocupação de contar essa história era sempre manter um tom leve, não ter nenhum tipo de estereótipo de alienígena, ou de nave espacial, ou de santo, ou se espírito”, explica o diretor.
Na prática, a opção – e limitação – traduz-se, dentre outras coisas, na ausência de cenas pródigas em efeitos especiais. Em que pesem os corpos luminosos, claríssimos, descendo e subindo montanhas, em alta velocidade. Tirando isso, o que mais se vê são efeitos sonoros, ruídos incidentais e vento, bastante e barulho de folhas balançado. Tudo prenúncio de aparições misteriosas, ou de sumiços idem.
Questionado sobre como é estar numa produção de tema pouco habitual no mercado brasileiro, Isaiah Washington mostra-se surpreso ao saber desse componente de “ineditismo”. “Sério?”, surpreende-se ele. “Eu não sabia que este filme seria o primeiro [do gênero]. Isso pode ser uma coisa boa, não? Meu trabalho é fazer o público acreditar que alguma coisa na qual eu não acredito realmente aconteceu... Então, eu tenho de acreditar (risos).”
Na maior parte de “Área Q”, Washington contracena com o ator carioca Ricardo Conti, que vive Eliosvaldo, guia e intérprete do americano ao longo da estadia deste no Ceará. Eliosvaldo é aquilo que se costuma chamar de “alívio cômico”: o personagem responsável por atribuir “leveza” ao serviço. São dele as falas que pretendem provocar risos na plateia, em meio à tensão reinante. “Cheguei 15 dias antes de todo mundo [na área da filmagem], para ouvir o sotaque [da região]” afirma Conti. “Fiquei num hotel estudando o roteiro, em inglês, e estudando o ‘cearencês’.” Sanginitto comenta que Eliosvaldo “dá uma amenizada, porque senão vira um dramalhão”.
Completam o elenco central de “Área Q” outros dois atores brasileiros, Murilo Rosa e Tania Khalill. Quando o filme começa, Rosa é João Batista, um camponês que é abduzido e volta para contar a história – mas, ao longo da projeção, o ator ampliará sua atuação. “Eu nunca tinha feito um filme nem perto [do que é ‘Área Q’]”, observa ele. “Primeiro: ficção científica, não. Em que eu falo inglês, também não. Em que eu faço três personagens, também não... Era estimulante, e acho que o filme tem uma mensagem humanista, gostei muito.”
Já Tania é Valquíria, uma jornalista brasileira que flerta com o protagonista. A personagem, no entanto, guarda uma surpresa, o que não é necessariamente positivo para “Área Q”. A exemplo do colega brasileiro, a atriz revela que se deixou atrair pela “mensagem”. “Essa busca do pai pelo filho, que vai buscar onde for a explicação... É o caminho de muita gente, essa dura procura por uma resposta que pode ser encontrada de mil maneiras.”
A religião, certamente, é uma dessas alternativas. Mas Sanginitto não quer saber de atrelar seu filme a uma corrente em especial. “O meu maior problema com esse termo ‘espírita’ é que principalmente esses filmes espíritas feitos no Brasil são doutrinários”, justifica ele, que diz adotar “a filosofia espiritualista”. O extraterrestre, no entanto, não vem à tona, embora o diretor aborde a questão ao desenhar um futuro promissor para “Área Q”.
“Existe uma carreira interplanetária, a gente vai lançar isso em Marte (risos)”, brinca. “É um filme em inglês, isso já quebrou muitas barreiras. Era uma intenção, fazer um filme internacional. Tem umas pessoas aí dizendo que é um filme brasileiro com cara de americano. Eu adorei [ouvir] isso.”

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